tendao de aquiles medicos Dr Alejandro Zoboli
Sabe aquela dorzinha chata na frente da canela que começa como um incômodo bobo e, de repente, parece que o osso vai rachar a cada passo? Se você corre ou está tentando começar, provavelmente já cruzou o caminho da famosa canelite. Tecnicamente, chamamos de Síndrome do Estresse Medial Tibial, mas, no dia a dia do consultório, o que vejo são atletas frustrados porque o corpo simplesmente “travou”. O grande erro é achar que a canelite é apenas uma inflamação que um gelo e dois dias de repouso resolvem. Na verdade, ela costuma ser um sinal de que algo na sua engenharia — na sua biomecânica — está operando fora do eixo.
O pé como o primeiro dominó da corrente Imagine o seu corpo como uma sucessão de engrenagens. O pé é a primeira delas a tocar o solo. Quando você corre, o impacto pode chegar a três ou quatro vezes o seu peso corporal. Se o seu pé não absorve essa carga direito, quem paga a conta é a tíbia. Muitas vezes, o vilão da história é o excesso de pronação. Sabe quando o arco do pé desaba para dentro na hora da pisada? Isso força a musculatura que se prende na canela a trabalhar dobrado para tentar estabilizar o movimento. Esse “puxa-empurra” constante irrita o periósteo (a membrana que encobre o osso), e é aí que a queimação começa. Por outro lado, quem tem o pé cavo (aquele arco bem alto e rígido) também sofre.
Como o pé é muito duro, ele não amortece o impacto, transmitindo toda a vibração da batida no asfalto direto para o osso. Ou seja: não importa se o seu pé é plano ou muito arqueado; se ele não estiver funcional, a canela vai reclamar. O caso do corredor que trocou o tênis, mas não a mecânica Atendi um paciente meses atrás, maratonista amador, que já tinha gastado uma pequena fortuna em tênis de última geração. Ele acreditava que o amortecimento extra ia curar sua dor crônica. O problema? Ele tinha uma limitação severa na mobilidade do tornozelo. Como o tornozelo dele não “dobrava” o suficiente para frente durante a corrida, o pé era forçado a virar para fora para compensar. Esse pequeno desvio biomecânico sobrecarregava toda a cadeia medial da perna. Não adiantava o tênis ter molas ou placas de carbono; a falha era mecânica, não do equipamento. Só resolvemos o caso quando trabalhamos a mobilidade articular e o fortalecimento dos inversores do pé.